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domingo, 8 de janeiro de 2012

Preguiça, mãe do comunismo

Fusca

Imagem gentilmente cedida pelo Fusca, feita originalmente para este post

 

Entender de economia pública não é fácil, a coisa é bem complicada, e não basta ler notícias sobre o tema todos os dias nos jornais, lá não tem definições, não se explicam as engrenagens de funcionamento, as variáveis, as consequências da subida deste índice ou a queda daquele outro. A coisa é tão complexa e cheia de achismos que mesmo os mais experientes economistas costumam divergir regularmente. Não raras são as vezes que vemos alguns deles digladiando-se publicamente, cada um defendendo suas idéias baseadas em seus conhecimentos empíricos ou em exercícios de adivinhação.

Taxa Selic, déficit primário, IGP, IGP-M, IPC, PIB, crescimento vegetativo, CADE, BNTF, ICV, IGP-DI, IPI, INCC-DI... Ufa! É muita coisa para simples mortais e informação demais para cérebros comuns e um universo paralelo para cidadãos de um país em que aritmética básica é ciência avançada.

O básico, porém, já dizia Delfim Neto, quando superministro de Figueiredo, qualquer dona de casa sabe: não se pode gastar mais do que se ganha. O que sobra depois de pagar todas as contas é lucro e este lucro é que leva à evolução econômica de uma família ou um país.

Aí vemos os defensores do fim do capitalismo baseando-se na argumentação de que esse sistema só visa o lucro. Ontem acompanhei a discussão entre Sandro Vaia, Ângela Glavam e um cidadão que ensina política na saúde, anônimo e não localizado no mapa, na qual rompia com o maniqueísmo entre lucro e prejuízo, achando essa dicotomia uma limitação de pensamento, falta de visão que entrava o progresso social e o desenvolvimento humano. Mentalidade típica de quem defende o socialismo, aquele regime que faliu de vez em 1989 justamente por colocar 17 empregados onde um faria o serviço apenas para manter os índices de desemprego nulos. Era o prejuízo de estado que inibia o desenvolvimento dos países comunistas, a comprovação prática e irrebatível que comunismo é sonho de quem não produz e vive às custas do trabalho alheio. Vide Marx, que jamais bateu prego num mamão e vivia das esmolas que a fortuna de Engels lhe dava. Agora, valem as perguntas: Engels dividiu sua fortuna com seus empregados? Ele sociabilizou os lucros de sua indústria? Fez de seus trabalhadores braçais seus sócios? Rendeu-se ao comunismo abrindo mão de seus lucros e da tão combatida mais valia odiada pelos comunistas?

Engels até tentou opor-se ao lucro, sendo expulso pela família da direção de uma de suas empresas, mas quando a coisa apertou, depois de sua ida para a Inglaterra, voltou à Alemanha, tornou-se novamente um bem sucedido empresário e com os lucros auferidos sustentou Marx, o maior sanguessuga da história, sua mulher e duas filhas, além de assumir a paternidade do filho de uma empregada engravidada por Marx, a fim de evitar o escândalo e a derrocada moral de Marx, que já não tinha moral alguma.

Não ter lucro nem prejuízo significa estagnação. Ninguém é obrigado a ter ambições, mas mesmo os que são contra o lucro – apenas no discurso, óbvio, a não ser que seja autista – há de ter consciência que tem o que tem porque alguém teve lucro antes e lhe deixou essa herança. Com prejuízo retrocede-se; estagnado não se move; o lucro leva à ascensão.

Quando o homem descobriu que podia plantar ou cultivar um rebanho, estava criado o capitalismo. Vendo sua produção crescer por conta de seus esforços e os benefícios da natureza, óbvio que o que ele plantava e alimentava deveria ser seu. Com posses poderia dar melhor vida à sua família e toda a tribo. De uma semente tirava uma espiga, de um casal de ovelhas fazia um rebanho. Estava lucrando. Com produto e lucro, criou-se o comércio.

Um inepto e preguiçoso que não quis aprender a plantar e nem se dava ao trabalho de pastorear a criação, viu-se no direito a uma parte do lucro do investidor. Achava-se merecedor de parte do que se produzia e usava o argumento ainda hoje repetido pelo vermelhinhos preguiçosos: nada é do homem, tudo é de todos, tudo é da natureza. Estava criado o comunismo.

E assim agem os mandatários ineptos, preguiçosos e desonestos. Retiram quase quarenta por cento do que o trabalhador produziu e os divide entre os preguiçosos, os ineptos, os desonestos, os deseducados e seus amiguinhos.

 

©Marcos Pontes

7 comentários:

  1. Lelezinha_09 (Zinha)8 de janeiro de 2012 10:05

    Perfeito comentário,caro amigo!

    Principalmente na sua valiosa definição:"a comprovação prática e irrebatível que comunismo é sonho de quem não produz e vive às custas do trabalho alheio!"

    Percebe-se claramente que os tais "comunistas" são na sua maioria,chupins do próximo, folgados, aproveitadores do suor alheio.(P/ não dizer vagabundos!)

    E vc termina o texto c/ chave de ouro qdo escreve:

    "E assim agem os mandatários ineptos, preguiçosos e desonestos. Retiram quase quarenta por cento do que o trabalhador produziu e os divide entre os preguiçosos, os ineptos, os desonestos, os deseducados e seus amiguinhos."

    Enfin,c'est la vie ici en Brèsil!

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  2. Bom texto ! Obrigada pela dica ... seguindo sempre!

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  3. Olá mestre, salve!

    Se fosse diferente não serio o BRASIL que desde o império até os dias de hoje, sugam os brasileiros. Como você mesmo descreve no último parágrafo: "E assim agem os mandatários ineptos, preguiçosos e desonestos. Retiram quase quarenta por cento do que o trabalhador produziu e os divide entre os preguiçosos, os ineptos, os desonestos, os deseducados e seus amiguinhos".

    Parabéns, mais um texto sem defeito e que deveria circular nos grandes jornais de circulação do país.

    Forte abraço.

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  4. Excelente análise e exemplar síntese do marxismo e de suas contradições. Parabéns!

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  5. Adorei esse texto. Ficou bem explicado. Olha, se os comunistas quisessem "repartir" alguma coisa, teriam feito como o deputado Reguffe: Abririam mão dos benefícios e ajudas de custo parlamentar. Só isso já ajudaria bastante. Mas cadê que ninguém acompanhou a atitude do deputado? Cadê os "politizados" que não fazem um movimento para que todos os políticos façam o mesmo? Só sabem ficar reclamando.

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  6. Carmem Luiza coelho Bertin11 de janeiro de 2012 05:58

    Caro Amigo Marcos Pontes
    Até a primeira sentença do 4 parágrafo/ finalizada pela palavra lucro, concordamos o que vem depois não mais.... Interessante que eu estava ainda há pouco assistindo a um programa de receitas na TV, o Dia a Dia... e o pobre Daniel, que a cada 1/4 de receita ( cinco minutos) culinária precisa fazer pessoalmente a propaganda de um determinado produto. E são muitos produtos e muitos comerciais, que sustentam um único programa com sensacionais receitas... Mas muito barata a propaganda e a impressão que se tem é que um apresentador de tanto gabarito acaba como um burro de cargas, e isso acontece em todas as emissoras, de maneira que se torna até mesmo enfadonho assistir a tais programas... e sobram os únicos que não tem comerciais, os telejornais e noticiários de más notícias.
    Então eu não concordo com sua tese e todos as teses que vem em cadeia... O capitalismo é um tipo de burrice sem precedentes, onde o gato corre em torno em busca do próprio rabo para morrer do coração cansado, com o sonho de desfrutar tudo ou alguma coisa, e muitas das vezes perdendo tudo que é da vida, que a vida tem a nos oferecer e que por conta dos gananciosos e dos espertos... ficamos assim. Dividindo o serviço em suaves proporções sobraria espaço para investimentos no pessoal, crescimento pessoal... O estudo seria de escolha aquele que me enobrece como pessoa que vem de encontro com talentos e dons não mais tão somente para atender interesse de empresas...E as empresas que hoje exigem o "pescado pronto" teriam que pescar e investir no cidadão... Muito prático para eles... nós fazemos das tripas o coração para pagar uma universidade para aprender como fazer mais rico e poderoso um empresário, e disputar no mercado algum lugar ao sol... diria que me parece insano... algo do tipo obtuso, mas é o sistema, que apoiamos que alimentamos. Acreditando que a carga de trabalho tem de ser racionalmente dividida, como burros iguais ou burros que podem estar bem a frente com cargas diferentes ou bem parecidas.

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  7. Muito bom artigo.Obrigado por compartilhá-lo comigo.Aprendendo sempre com você! Abs.

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