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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Moralistas amorais

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Tem-se falado na saída de Paulo Bernardo do Ministério das Comunicações e sua transferência para o comando de Furnas, estatal já íntima do casal de ministros. Como que com a intenção de deixar pepinos grossos nas mãos de seu sucessor, caso esta transferência ocorra deveras, ou na tentativa de mostrar serviço para a presidente e manter-se na pasta, Paulo Bernardo apareceu, depois de um ano de balela e pouca efetividade, com duas idéias tirada da algibeira do culote.

A primeira delas vai de encontro à velha práxis que deixaria Marconi enfurecido, de se dar concessões para explorar rádios e tevês para correligionários e amiguinhos do comandante em serviço. Ficou maculando a história nacional a derrama que Antônio Carlos Magalhães fez de concessões quando comandava a pasta, no governo, sempre ele, José Sarney.

Paulo Bernardo baixou decreto que determina que para ser obter licença para explorar o serviço, o requerente tem que ter ficha limpa em processos criminais e cíveis. A medida faz parte de um pacote que o Ministério lança com a intenção virtual de evitar o uso de laranjas e especuladores.

Talvez sejam intenções corretíssimas, mas há de se ver as reais intenções e o modo como as medidas estão sendo tomadas.

Se as concessões são liberadas pelo Executivo e este deve ser fiscalizado pelo Legislativo, pergunto eu, ignorante nas questões constitucionais e legais: não deveria ter aval do Congresso? E mais, se a intenção é moralizar o setor, por que falta peito para rever todas as milhares de concessões exploradas atualmente? Não é premiar uns enquanto dificulta a ação dos já estabelecidos ao se cobrar imaculada folha corrida aos novos pretendentes sem se falar em analisar caso por caso as fichas de donos e diretores dos veículos já em atividade?

Outra manchete dada ao ministro refere-se à Rede Globo e aí a casca é mais grossa.

Depois do propalado e suposto caso de estupro de indefeso, ou seja lá qual o nome técnico desse crime, ocorrido no Big Brother, os paladinos da justiça vermelha mostraram suas presas. Depois de quatro tentativas de Franklin Martins de dar ao governo federal, não coincidentemente do partido que o abrigou como lido e versado nas táticas gramscistas de controle das informações, eis que os censores da esquerda fantasiados de defensores da moral enquanto defendem aborto, casamento gay, adoção de crianças por casais homossexuais sem uma análise profunda da questão por psicólogos, beijos gays em novelas, táticas persecutórias contra as religiões preestabelecidas, principalmente a católica, e acobertamento sistemático de seus quadros ou coligados flagrados com as duas mãos na botija da viúva, eis que cai em seu colo a oportunidade ideal de enquadrar os veículos de comunicação social. Se não conseguiram legalmente, o farão na marra, braçadeira negra com dois esses (SS) em forma de raios estampadas.

” O Ministério vai verificar se as imagens transmitidas estiveram "em desacordo com as finalidades educativas e culturais da radiodifusão”, diz a matéria do cyber-jornal Brasil 24 horas, de Pernambuco.

Em se tratando de Rede Globo e de Big Brother, dois sacos de pancada sistemáticos dos intelectuais e intelectualóides brasileiras, o que deveras interessa na questão fica relegado a um plano escondidinho. Contando com a pouca afeição de nosso povo à leitura e ainda menor à análise do que se lê, ameaçar a retirada do sinal da Rede Globo tem, para todos os demais veículos, uma ameaça intrínseca: ou falam o que queremos ou os tiraremos do ar, como fizemos com a toda poderosa Rede Globo.

O brasileiro é um invejoso que cai no discurso de odiar (palavra estranhamente mais propalada do que paz, em tempos politicamente corretos) quem tem dinheiro, poder, notoriedade, quando, no fundo, esses são desejos de todos nós. “Odiamos” quem os tem, e a Globo, como a Veja, é um dos alvos prediletos.

Pouco se me dá se Globo e BBB são fúteis, amorais e depreciadores da moral nacional. Esta prática de subverter os bons costumes e criar uma aldeia global com os mesmos sotaques e práticas degradantes vem sendo exercida há décadas e jamais qualquer governo tentou sequer negociar com a direção da emissora uma melhoria no nível de sua programação e qualquer ensaio de tentativa era prontamente repugnada pela sociedade, escaldada com a censura que nos regeu por 21 anos. Agora, parece que adormecemos nosso medo da mordaça. Não são poucos os internautas que vejo defendendo o fechamento da emissora.

Somos adultos e mais ou menos inteligentes para triarmos o que devemos assistir e o que gostaríamos que nossos filhos assistissem, não precisamos de tutela do Estado para nos direcionar como os ratinhos de Hamelin, levados para a ratoeira achando que nos divertimos. A ratoeira é o controle das mídias, um enorme passo para a perpetuação da ditadura vermelha, sonho dos absolutistas Dirceu, Greenhalgh, Genro, Berzoini, Ünger, Vaccarezza e mais uma horda de puxassacos desavisados.

A questão não é o fechamento da Globo, mas a ameaça a toda uma cadeia de informações, sem falar qe muitos dos que aplaudem em público a medida trancam-se em casa e assistem sua programação de cabo a rabo, dando mais de 70% de ibope para BBB e novelas.

 

©Marcos Pontes

6 comentários:

  1. A verdade dói naqueles que, verdadeiramente, são hipócritas. Se sabem o q aconteceu é porque estavam assistindo MESMO.
    Quanto aos ficha limpa das comunicações, a burrice estabelecida não pensou no "laranja ficha limpa". rsss Imaginei!!!.São muito incompetentes, mesmo.
    Quem não quer assistir, não assista.Quem quer pornografia explícita, tem muita na TV a cabo e passa o dia todo.Sem censura.
    Reclamam da lei das palmadas como ingerência no pátrio poder - poder esse que lhe permite, você mesmo, censurar programação na SUA TV . Todos aparelhos têm essa opção.
    No mais, PARABÉNS pelo texto. É tudo o que eu gostaria de dizer.

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  2. Discordo, sinceramente, de que "pouco importa o que ela é" e de que não deve haver censura. Pelo contrário.
    Fechar a globo parece exagerado aos meus olhos, até porque todos os canais tem passado mais e mais conteúdo amoral.

    Mas exigir decência dos nossos gigantes, dos nossos reis,
    dos nossos "cidadãos presentes em todas a casas", é justo. A grande mídia é a mais mimada, poderosa, forte das entidades não governamentais que conheço socialmente e politicamente. Liberdade de expressão DO MAL, isso deveria ser proibido e quando muito, receber permissões ESPECIAIS para passar.

    Sou estudante de computação. Tenho uma teoria de que o virtual e o real vão se intercalar cada vez mais e que na pratica, a violência virtual (fora outras coisas, como pornografia) vão tomando mais e mais o real. Na pratica, a nossa mente peca, nossos corpos não, quando fazemos o mal num jogo.

    A rede globo, e todas as emissoras precisam rever suas mordaças SIM. ontem mesmo passou na TV aberta um homem mostrando-se, de costas para nós, mas supostamente "nu" para uma mulher que dançava, video de internet. Só obedeceram a lei de não mostrar nudez, mas o conteúdo se mantém provocador de excitação sexual de crianças, solteiros, casados... Pastores e até padres celibatados.

    Precisamos SIM que passem coisas decentes. Se a rede globo levar um aperto agora, depois dessa brincadeira que, como brincadeirinha de lutinha, acaba quando alguém se machuca, quem sabe ela e as outras temem.
    Tem sido passado zombarias até contra a nossa presidenta na rede globo. Se fosse eu não ia aceitar, mas ela tem por "liberdade de expressão". A liberdade de expressão permite expressar o MAL, em todas as suas formas, assassinatos, estupros, zombarias, tudo, teoricamente... Contanto que seja só no campo virtual que, mais e mais, vai invadir o nosso

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  3. Lelezinha_09 (Zinha)19 de janeiro de 2012 10:36

    Marco,meu amigo,vc disse a frase corretíssima:

    "O brasileiro é um invejoso que cai no discurso de odiar (palavra estranhamente mais propalada do que paz, em tempos politicamente corretos) quem tem dinheiro, poder, notoriedade, quando, no fundo, esses são desejos de todos nós. “Odiamos” quem os tem, e a Globo, como a Veja, é um dos alvos prediletos."

    Daí,vc também comenta com mta propriedade isto:
    " E mais, se a intenção é moralizar o setor, por que falta peito para rever todas as milhares de concessões exploradas atualmente? Não é premiar uns enquanto dificulta a ação dos já estabelecidos ao se cobrar imaculada folha corrida aos novos pretendentes sem se falar em analisar caso por caso as fichas de donos e diretores dos veículos já em atividade?

    Só este dois tópicos,tão bem escritos, valem o texto,que li com mto prazer,como sempre!
    Fica um abç!

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  4. Concordo com o Cientista de Deus que a mídia e os meios de comunicações deveriam ser mais, digamos comedidos, em suas programações, mas discordo frontalmente serem eles os responsãveis por todo o MAL que se espalha na sociedade.

    Muito antes da TV a promiscuidade e/ou voluptuosidade sexual já pairava na cabeça dos humanos. Sodoma e Gomorra não tinham sinais da rede Globo. Nero não praticou nenhum joguinho pra botar fogo em Roma nem a sociedade comandada pelo austriaco de bigodinho esquisito assistia Datenas, Ratinhos, Lucianas ou Anas Marias.

    A educação começa em casa. O controle remoto é a arma caseira mais eficiente dos puros e honestos educadores, capaz de; num disparo só, detonar qualquer tentativa de invasão mal intencionada.

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  5. Eu concordo com o post, ótimo, xô hipocrisia, agora só visam a Globo, ora!
    Sigo, beijus

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