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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Decálogo para ser bom professor

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Para ser um mau ou bom professor não há regras, basta sê-lo. Não há também receita para ser o melhor professor uma vez que vários critérios seriam subjetivos e cada “julgador” da atividade docente faria a avaliação que lhe conviesse.

Algumas regras, porém, são básicas para que um professor seja considerado bom, acima da média, e dessas, ouso dizer que aprendi ou assimilei empiricamente. Vejamos:

1. Conheça o conteúdo que vai ministrar. Nesse mister não há diferença entre o professor ou qualquer outro profissional. Imediatamente qualquer leigo identifica um mau motorista, um mau advogado, um mau pedreiro, um mau oftalmologista e, óbvio, um mau professor. Com pouco tempo de observação o aluno diferencia o professor tímido do inseguro e a insegurança, via de regra, advém da ignorância. Não precisa ser sábio, mas, indiscutivelmente, estudiodo.

2. Seja claro. Despejar o conteúdo para o aluno, por mais que se tenha domínio sobre ele, o conteúdo, pode demonstrar domínio da matéria, mas não faz do professor um bom professor. É primordial que o aluno saiba onde você quer que ele chegue, o que você deseja que ele assimile daquilo que está sendo exposto, seja por palestra, desenhos, gráficos ou textos. Ao saber o que se espera dele, o foco do aprendizado fica definido, diminuindo a insegurança e a dispersão.

3. Vá e volte quantas vezes forem necessárias. Cada discente tem seu ritmo e um excelente aluno de uma área não será, necessariamente, excelente em outra. Se na primeira explicação algum aluno não entendeu, reexplique, mas com o cuidado de não reexplicar com as mesmas palavras e os mesmos exemplos. Diversifique as fontes, faça analogias diferentes, procure outros caminhos até conseguir transportar o máximo possível da classe ao ponto onde deseja que ela chegue.

4. Conheça seus alunos. Se você é mais bem recebido num restaurante ou no posto de gasolina quando trata seu atendente pelo nome, assim também será em sala de aula. Ao tratar o aluno pelo nome, ele sentirá intimamente que você se importa com ele, que diferencia-o dos demais, não sente-se apenas mais um na multidão. Não se furte em investir alguns minutos, dentro ou fora da sala, a saber dos gostos, dos problemas, dos hobbies de seus alunos. Não há necessidade de se esforçar para isso, basta abrir-se para o contato. Isso o ajudará no item 3, quando precisar usar analogias para se fazer entender, poderá fazê-lo com exemplos que sejam palpáveis para aquele aluno. Se ele é ciclista, se gosta de cinema noir, se lê O Senhor dos Anéis, se prefere montanha a praia, qualquer coisa mais íntima dele pode ajudar o professor a se fazer entender. As redes sociais estão aí, monte um perfil exclusivamente para contatar seus alunos, famílias e colegas, se não quiser expor-se completamente.

5. Seja amistoso, mas não amigo. Você não é um deles, não é coleguinha, não é amigo, não é da patota, você é a autoridade, é o exemplo, a referência. Abra-se para o contato, mas não para a intimidade. Se portar-se como um deles, como um deles será tratado. Por mais rebelde que um jovem possa ser, intimamente ele sabe e deseja um adulto para discipliná-lo, orientá-lo, elogiá-lo ou castigá-lo. E não me venham com essa que castigo não educa. Esse “modernismo” não funciona em casa e nem na escola. Estudos da Universidade de Oxford constataram que os jovens querem ser disciplinados e olha que isso foi feito na terra do nascimento do punk e famosa por seus adolescentes rebeldes. Sei que aqui falta fonte, mas quem tiver interesse pode pesquisar, e isto me leva ao item 6.

6. Não dê respostas mastigadas, incentive a pesquisa. Acabou-se o tempo em que filhos tinham que arrumar o quarto, ajudar a lavar e secar a louça, lavar os próprios tênis, ir à mercearia comprar pães e ovos. De uns tempos para cá eles vêm sendo educados como incapazes de resolverem seus problemas. Pior, a escola tem ajudado nesse conformismo. Por comodismo, preguiça ou despreparo, não raramente encontramos professores que só fazem perguntas com respostas fáceis ou óbvias. Para esses “dadores de aula”, trabalhar cansa; para seus alunos, consequentemente, pensar dói. Pesquisar, então, paradoxalmente ficou mais difícil com a facilidade de fontes à disposição dos estudantes. Pesquisar significa acessar o Google, citar uma palavra chave qualquer e copiar o primeiro link que surgir. Tenho até um exemplo concreto a citar. Num trabalho prático sobre magnetismo (física) os alunos procuraram frases sobre o tema para decorarem o stand da equipe. Estava lá estampado em letras garrafais: “O magnetismo é um fenômeno da vida, por constituir manifestação natural em todos os seres. Chico Xavier”.

7. Dê o exemplo. Não tem cabimento na educação o “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Aliás, não tem cabimento em lugar algum. O professor tem que ser o melhor cidadão que possa ser – cito o professor porque é a ele que me dirijo, mas esse é dever de qualquer um – e agir, sem a necessidade de ufanar-se de sua correção. Não fure a fila do lanche; não use o celular em sala de aula; não mate aula sem justificativa; seja assíduo; cumpra aquilo que promete; admita os erros que cometer e os corrija, humildemente; não ganhe uma discussão com gritaria, mas com argumentos. Você perceberá que está fazendo certo quando os próprios alunos compararem seu comportamento com o de outro professor que não está. Isso parece cruel e cínico? Pois não é, é fato. Sempre aparecerá no quadro docente de sua escola um espírito de porco que se enlameará e elevará você ao pódio do bom exemplo. Não se esforce, apenas aja, não se gabe, todos notarão.

8. Não seja bonzinho. Alunos não querem professores bonzinhos, mas professores seguros e bons. Quando o professor é bom, pode ser exigente que será respeitado. O bonzinho, o professor vaselina, não tem respeito, tem afagos tão hipócritas quanto sua própria “bondade”. Pergunte a si, quais os professores de quem você tem melhores recordações, do bonzinho, amiguinho, que adorava dar notas altas a torto e a direito ou que ensinava com afinco, cobrava, mas era...

9. ... justo. Seja criterioso e não diferencie os alunos em suas avaliações. Esses critérios devem ser claros e que não nivelem o alunado por baixo, mas que também não exijam deles o que eles estão aquém da capacidade de oferecer. Seja exigente na medida certa, nem frouxo nem por demais apertado. O peso das exigências não será encontrado em livros ou em conselhos de teóricos, mas em seu próprio bom senso, na troca de informações com os colegas, empiricamente e levando-se em conta, sempre, a heterogeneidade de suas classes e a realidade da localidade em que sua escola está inserida. Nunca descuide-se da obrigação profissional de fazer que uma geração seja sempre melhor do que a anterior, é assim que faz-se a evolução e não repetindo, confortavelmente, os acertos.

10. Mantenha-se informado. Gengis Khan já sabia que quem detém a informação, detém o poder. Não é o poder que interessa ao professor, mas tem que preparar-se para formar líderes e líderes são feitos, essencialmente, pelo cabedal de informações que eles têm. E que diabos são informações? Todo e qualquer conhecimento é informação e o professor, mesmo que não saiba as respostas a todas as perguntas, e não há esse gênio que saiba, tem que estar preparado para indicar ao estudante onde ele possa obter a solução para seus questionamentos. Tem que ter o mínimo de informações para ao menos saber de que se trata o tema do questionamento. Não interessa se é professor de cálculo, ciências humanas, biológicas ou tecnológicas, é obrigação sine qua non do professor manter-se informado, seja por jornais, revistas, sites confiáveis... Ele tem que saber o que ocorre no mundo.

Pode-se ser excelente professor sem seguir os dez itens acima, mas, em minha paupérrima opinião, é impossível ser um bom professor sem seguir ao menos seis deles.

©Marcos Pontes

domingo, 13 de outubro de 2013

Três Brasis, três educações

sala de aula

Melhorar a educação nacional não se faz por apenas um caminho, como se fazer uma escola não basta um prédio, carteiras, quadro negro e um abnegado a dar aulas. Por outro lado, para melhorar a educação não são necessários tantos teóricos, modismos, correntes filosóficas e ideológicas.

Educação e escola não são uma só coisa, a segunda é um pedaço da primeira.

Educação e instrução também não são a mesma coisa e nem são, cada uma, uma só coisa. Não há só uma educação e apenas uma instrução.

Alguns ditados são repetidos todos os dias, porém nem sempre são compreendidos por não se ter questionamentos pessoais sobre os conceitos que esses ditados abrangem. Por exemplo “educação vem do berço”. O pobres coitados que têm terreno baldio separando as igrejas podem interpretar berço como a caminha do bebê e educação como inteligência, ou seja, quem é gênio o é desde bebê.

Educação que vem do berço é o conjunto de princípios transmitidos pela família desde a primeira infância, o que leva à fácil constatação que existem boa e má educação. Daí também vem a falta de princípios hereditária. Pais mal educados não podem ter bons princípios para transmitir aos filhos. Famílias desagregadas têm apenas metade dos princípios a ser transmitida à prole.

Educação cabe à família, em primeira instância, assim também a instrução. Esta pode ser traduzida em cultura, erudição, conjunto de conhecimentos. Qualquer leitura contém algo de instrução. Não precisa jogar nos peitos de uma criança recém alfabetizada A Divina Comédia ou Os Lusíadas, mas o prazer pela leitura é um bom início. Este prazer vem do exemplo. Se pais leem e conversam sobre o que leram, os filhos tenderão a fazer o mesmo. Aprende-se muito mais lendo do que nos bancos de escola se a leitura é feita por deleite e não por obrigação.

Tudo o que tem nos livros didáticos é dito pelos professores em sala de aula, mas nem tudo o que os professores dizem está nos livros. Os dois se complementam, portanto.

A criança pode adorar tomar banho, mas quando os pais começam a obrigá-lo a banhar-se, hummm, o prazer vai-se embora, o banho parece castigo. Assim com os livros, jornais e revistas.

Algo de novo até aqui? Não creio. Os poucos que me leem de vez em quando são inteligentes e devem estar bocejando com meus lugares-comuns. Vamos então cavucar um pouco mais essa ferida nacional.

Por que algumas escolas formam alunos que ganham olimpíadas internacionais de matemática e física, levam gente para grandes cursos em universidades de renome no exterior, como Harvard, Oxford ou à socialista Sorbonne, ao mesmo tempo em que no todo a qualidade, ou falta de, da educação brasileira está sempre próxima da ponta de baixo dos rankings internacionais? A primeira resposta é simples: porque existem ao menos três Brasis.

Há um Brasil conteudista que segue as escolas tradicionais como foi um dia a Dom Pedro II, do Rio, os Colégios Militares – não umas coisinhas que levam esse nome, mas nada têm a ver com as Forças Armadas – e alguns tantos espalhados nos mais diversos recantos do país, do Piauí ao Rio Grande do Sul. Escolas tão poucas e tão raras de que o brasileiro comum jamais ouviu falar. Não coincidentemente, NENHUMA das 60 melhores é estadual – as públicas colocadas entre essas, são federais. Das 100 melhores, 90 são privadas. Esta avaliação pelo ENEM, uma avaliação pública. Existem outras, como ENADE e Prova Brasil, mas nem são levadas em consideração pelas escola particulares, seja pela baixa exigência das questões, seja pelos critérios de classificação. Por terem plena consciência que as escolas públicas são muito ruins e sem perspectiva de melhora que os executivos da educação pública criaram, por exemplo, olimpíadas de português e matemática apenas para escolas públicas com provas elaboradas pelos mesmos organismos que elaboram e aplicam as olimpíadas abertas há mais de duas décadas. E por que isso? Para nivelar por baixo e dar prêmios à guisa de incentivo para os melhores estudantes entre as piores escolas.

Há um Brasil de faz de conta. A velha história criada não sei por quem (Millôr?) que diz que em nossa educação os professores fingem que ensinam, os alunos fingem que aprendem e as governos fingem que estão satisfeitos. E nesse círculo da fantasia não estão apenas escolas públicas. Há uma enormidade de “métodos de ensino” Brasil a dentro que são fábricas de dinheiro par as empresas que os vendem a escolas “conveniadas”. Não entenda-se que todo o sistema de apostilas ou módulos é ruim. Existem alguns bons, muitos razoáveis e um tanto sem a mínima condição de serem classificados como livros didáticos.

Há dois anos tive em mãos uma apostila de geografia do primeiro ano do ensino médio com mapas da União Soviética atualizados. Piores que as empresas que vendem são os colégios que compram esses crimes encadernados e os empurram a pais ignorantes.

Esse Brasil de faz de conta é regido por pedagogos, cientistas políticos, psicólogos e falsos educadores – aliás, desconfie sempre de um professor que se autodenomina “educador”. Este tipo de profissional sequer questiona-se sobre a origem e o propósito dessa nova classificação profissional. Pegando carona na metodologia do momento como “escola nova”, “construtivismo” e sabe-se lá quantos outros modismos, esses ideólogos da educação montam empresas de consultoria, contratam lobistas, pagam escritores, promovem cursos, seminários, simpósios, corrompem uns aqui, outros ali e fazem fortunas vendendo livros para governos e escolinhas particulares de ponta de rua, como se dizia na Bahia. O resultado? Necessidade de baixar o nível educacional nacional para esconder as pontas puídas deixadas à mostra pela incompetência e pela corrupção.

Existe um Brasil do tô nem aí. O Brasil dos municípios, das prefeituras geridas por espertalhões que nomeiam ignóbeis educadores como secretários de educação e cultura (não poucas vezes também de esporte e lazer), alugam casas de amigos, pintam suas paredes com um quadro preto, enchem o que antes era quarto de dormir com carteiras e colocam uns desesperados por ganha-pão para darem aulas. Denominam esses antros escolas. Este Brasil do tô nem aí é enorme, espalha-se por todos os estados,alimenta um exército de despreparados e deseduca uma multidão de inocentes úteis. Este é o Brasil que mais compromete o Brasilzão. É o Brasil que vive de migalhas e deixa o glacê do bolo para os que fazem da educação discurso e não meta ou prioridade.

Nessa heterogeneidade de Brasis, o primeiro continua e continuará por muito tempo formando comandantes, governantes, capitães de empresas, governadores e presidentes (se não forem reles sindicalistas). Ao segundo Brasil estão reservados os cargos subalternos, os pequenos gerentes, os fiscais de linhas de montagem, os mestres de obras. O terceiro Brasil formará a base social acima apenas daqueles que não tiveram sequer as escolas de faz de conta, os pedreiros, os pintores de meio-fio, os vendedores de botequim.

O estrato social é determinado pela educação que se dá às suas bases e não aos capitalistas louros de olhos azuis.

©Marcos Pontes

sábado, 12 de outubro de 2013

Professores de “dadores” de aula

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No meu currículo constam 25 anos de regência de classe. Me orgulho por não ter-me tornado um burocrático “dador de aulas” e nem um “educador”, quase um neologismo criado pelos revolucionários em ascensão como forma de destruir as instituições, entre elas a escola (ambiente em que muitos deles, os revolucionários, se sentiram desconfortáveis por serem inimigos do conhecimento). Sou professor e disso me orgulho.

Mas não sou eu o propósito desse texto, o introdutório foi apenas para deixar claro que não sou apenas um curioso, um “achador”, um teórico ou apenas um “pedagólatra “ e que o tema educação não me é um mote de campanha eleitoral obrigatório, dado que jamais fui candidato a qualquer coisa e nem tenho esse propósito.

No decorrer desses últimos 25 anos, além da regência de classe, exerci também a função de coordenador de projetos da secretaria municipal de educação e hoje sou membro do Conselho Municipal de Educação.

Nessa última função, a cada reunião tenho problemas com os representantes do sindicato dos professores. Eles devem ver-me como um reacionário, conservador e escravocrata. Não sou escravocrata. Do meu lado, os vejo como imbecis que teimam em reivindicar salários, melhoria das condições de trabalho, salário, redução da carga horária, salários, aumento de salários, adicionais disso e daquilo, salário, transporte, salário... Em nenhum momento propõem suspensão para professores faltosos com assiduidade, premiação por produtividade, promoção por mérito, avaliação anual dos docentes e afastamento para recapacitação daqueles reprovados dois anos seguidos, fim da vitaliciedade do cargo, vacinação em massa do corpo docente do município, do estado, da união ou de estabelecimentos particulares contra gripe (principal motivo alegado para faltas).

Não vejo também secretários e prefeitos (sem falar em parlamentares e governadores), em todos esses anos, tomarem medidas que possam ser antipatizadas pelos professores, mas que a médio e longo prazo poderiam fazer do Brasil um país trilhando o caminho correto da boa educação. Por ser, nos estados e municípios, a função que ocupa o maior número de eleitores (no meu município, a exemplo do que ocorre em muitos outros do país, professores ocupam quase 30% da folha de pagamento), governantes preferem se deixar acuar pelos sindicatos do que dar respostas positivas para o alunado e suas famílias.

Mas essa politização da educação não se dá apenas em municípios, também nos estados e união. E em escala crescente. Via de regra, as prefeituras empregam professores com menos títulos de especialização, mestrado e doutorado. Este número é um tanto maior nos estados e diversas vezes maior nos institutos e universidades federais. Aliás, se me permitem parênteses, não são poucos os professores “federais” que ganham a vida estudando, adquirindo títulos para ascenderem profissionalmente e melhorarem seus salários que raramente têm tempo para dar aulas. Em alguns casos, o corpo discente é apenas um empecilho para suas carreiras.

Voltando. Quanto mais tempo de estudo, mais politizados se tornam os docentes. Quanto mais politizados, mais argumentos e estratégias têm para sequestrarem os governantes. Mais se sindicalizam, se reúnem em seminários, colóquios e que tais. Quando é de seus interesses se reúnem e dão apoio a estudantes e funcionários em suas respectivas greves e ganham força para conseguirem mais e mais vantagens sem a necessidade proporcional de devolverem em qualidade em suas funções. Nessa republiqueta sindical, educação é tema obrigatório em palanques e artigo em falta no cotidiano.

Grade curricular cada vez menos exigente; livros didáticos a caminho da anorexia; avaliações meia-boca para estudantes; avaliação dos docentes inexistente ou pífia; cotas para negros, índios, deficientes e até mesmo para filhos de funcionários de institutos federais, como forma de “incluir” os menos favorecidos, mas que apenas adiam a necessidade de requalificar profissionais, reequipar escolas públicas, dotar os estudantes de escolas públicas com condições de competir em igualdade de condições com os formados em boas escolas privadas.

Costumo citar o Ícaro Luís Vidal, primeiro negro cotista a concluir o curso de medicina na UFBA, amplamente noticiado em 2012. Não diminuo seus méritos, pelo contrário, é digno de elogios, mas a questão que jamais vi alguém fazer é: onde foram parar os outros 19 cotistas que entraram junto com o Ícaro, em 2005? Ficaram pelo caminho por não terem base científica? Foram jubilados? Mudaram de curso? Desistiram por não terem condições financeiras de bancar o material do curso, que, mesmo sendo numa instituição pública, não é barato (livros, cursos, seminários, maleta médica...)?

A discussão é longa, mas algumas medidas, se houvesse governante com coragem para tomá-las, mudariam a cara do Brasil e entre elas repito as que citei lá em cima. Acrescentaria: plano de demissão voluntária para aqueles que estão cansados de dar aulas, desestimulados e que, por isso ou além disso condenam gerações a serem vítimas de educação de má qualidade que é o mesmo que falta de educação.

Para os professores, meus parabéns pela seriedade com que encaram seu sacerdócio, pela preocupação com as gerações futuras, pela abnegação, pelo bom exemplo, pela crença que não se faz futuro sólido sem educação de boa qualidade. Aos “dadores” de aulas, um conselho: mudem de profissão, assim estarão fazendo um grande bem aos jovens, aos futuros filhos desses jovens, aos filhos desses filhos... numa progressão geométrica ad infinitum.

Educação é investimento a longo prazo. É como uma árvore que demora a dar frutos. Planta-se hoje, mas o fruto só nascerá daqui a quinze, dezoito anos.

Bom professor é aquele que não sonega conhecimento, faz questão de passar adiante tudo o que sabe. Mas para ser deveras um grande professor, tem que ter muito conhecimento ou o tudo que passará adiante será muito pouco.

©Marcos Pontes

domingo, 22 de setembro de 2013

Pensatas

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Gil
“Agora é o dá ou desce pra esse capitalismo desumano, ôxe! Eu mais Paulinha mais Gil mais Gal mais Bethânia mais Pemba formamos um coletivo revolucionário na Lagoa de Abaeté. Mas a gente também passa no Pelô e no circuito Barra-Ondina.”
“A gente ia se chamar Doces Vândalos, mas Gil falou que o ‘propagandamento da vandalização é extrinsicamente contra-informação da mídia feladaputalhizante’. Não entendi nada, mas como eu amo essa preta, mudei o nome. Agora é Axé Vandálico. Pemba gostou.”
“Eu organizo o movimento, eu oriento o carnaval. Mas tem que pedir pra Paulinha. Senão ela me enfia a mão no pé do ouvido e a revolução acaba antes de começar, ôxe.”
“Liguei pra Pablo Capilé. Expliquei a ele como Carmen Miranda e Chacrinha planejaram a Semana de 22 e como esse evento revolucionário influenciou o axézismo de Dodô e Osmar. Capilé falou que prefere a parte dele em dinheiro. Não entendi.”
“Esse moço do hip-hop, o Espermicida, veio visitar nosso coletivo. Ele chegou e falou ‘Eu sou Amarildo, eu sou Candelária, eu sou Carandiru, eu sou Sem-Terra’. Coitado. Tão moço e já esquizofrênico, ôxe.”
“Enquanto os homens exercem seus podres poderes, eu mais Gil mais Gal mais Giló mais Gozô mais Wanderley Wellington (nosso núcleo não para de crescer, ôxe) escrevemos a pauta de reivindicação da revolução.
Exigimos:
1) Uma baleia
2) Uma telenovela
3) Um alaúde
4) Um trem
5) Uma arara
6) E ao mesmo tempo, bela e banguela, a Guanabaaaara”
“Liguei pra Black Bloc. Expliquei a eles como os Irmãos Campos e as Irmãs Galvão inventaram a Bossa Concretista e como esse evento revolucionário influenciou o enlarguecimento da roda de Sarajane e Luís Caldas. O Black Bloc falou que vem aqui me dar um pau. Falei para eles que chamo Paulinha. O Black Bloc mudou de assunto.”
“Eu mais Gariroba mais Quizomba mais Caleidoscópio mais Wanderley Wellington mais Pemba fomos comprar material pra fazer coquetel molotov. Eu expliquei que só podia ser com vodca importada, mas Quizomba falou que eu era um baiano burguês e não entendia porra nenhuma de molotov. Fiquei cheio de ódio e unhei a cara dele. Começou o maior quebra-quebra. Chegou uma fila de soldados quase pretos dando porrada na nuca dos malandros pretos e sobrou até pra mim que sou quase branco, mas fui tratado feito preto.”
“Agora estou em cana. O sol nasce quadrado e me enche de alegria e preguiça. Os porcos capitalistas podem prender meu corpo, mas meu pensamento voa livre sem livros e sem fuzil para espalhar a revolução no coração do Brasil. Só que não. Só que não. Só que não. Só que não.” (Edson Aran)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Panela em que dois mexem…

Já diziam os antigos, “panela em que dois mexem, desanda”. Era esse o meu receio quando o MPL chamou o populacho às ruas para manifestar-se contra o aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus na capital paulista.

O movimento prometia ser localizado, mas tornou-se maior do que o próprio MPL esperava e elevou seus líderes a celebridades contestadoras, tinham tudo para tornarem-se líderes nacionais de uma (ou muitas) mudança estrutural nacional.

Retiraram bandeiras partidárias das ruas, o que foi uma grande jogada, levando-se em conta que o brasileiro médio não entende quais as funções de partidos e vê nas siglas partidárias nada menos do que sindicatos de bandidos. Maneira de ganhar a simpatia popular.

Expulsos os partidos - e isso ficou ainda mais patente com a escorraçada que deram no bloco de petistas que, a mando do presidente do partido, resolveu assumir a paternidade da multidão na Avenida Paulista - a oposição recolheu-se. Era a grande oportunidade de que precisava para opor-se de verdade, ao contrário do arremedo de oposição que desenhou-se após a ascensão petista no primeiro mandato de Lula.

Sob recomendação do próprio Lula e de seu lua parda, João Santana, Dilma apoiou as manifestações contra ela e seus cúmplices palacianos e congressistas. Recebeu aplausos da mídia pela iniciativa e retirou o MPL das ruas. Esvaziou o movimento que já havia se espalhado país a dentro.

O mote “o gigante acordou”, gritado a pulmões plenos e repetido em caixa alta nas redes sociais foi perdendo o fôlego.

Dilma, espertamente, propôs um pacto, prometeu mundos e fundos e pouquíssima gente percebeu que ela fazia promessas para que nós subíssemos de joelhos o Redentor. Nenhuma das medidas prometidas depende diretamente do Executivo, o Poder que tem em suas mãos o comando. Fez promessas a serem cumpridas pelo Legislativo e pelos executivos estaduais e municipais.

A oposição sem voz, aquela que reverbera sem ser ouvida nas redes sociais e nos botecos, achou-se vitoriosa. Acreditou na imprensa que cantava a vitória do “povo”. Voltou à sua letargia histórica.

Os chefinhos do MPL, Fist (de que nunca havia ouvido falar antes de ver suas bandeiras tremulando pela Paulista) e todos os demais “movimentozinhos sociais”, depois de recebidos no Planalto pela sua comandante-em-chefe, recolheram-se. As iminentes eminências desapareceram na velocidade com que surgiram, sabe-se lá às custas de que afagos presidenciais.

O Senado, não amedrontado, apenas assustado, aprovou de afogadilho um projeto de lei que tornaria corrupção em crime hediondo, uma das promessas da presidente. Combinado ou não, dias depois a Câmara desaprova o mesmo projeto, fazendo com que corrupção fosse crime hediondo pelo tempo recorde de cinco dias.

Coincidentemente ou não, o levante popular coincidiu com a Copa das Confederações. Estavam nas ruas cartazes, faixas e gritos comparando o maldito “padrão Fifa” dos estádios e de organização com o “padrão PT” de infraestrutura e cuidados deveras sociais, como saúde, educação e transporte. “Não precisamos de estádios, mas de hospitais”, “Não temos escolas, mas temos estádios”, “FIFA go home!” lia-se e ouvia-se em todos os lugares. E esta gritaria durou até domingo, dia em que o Brasil golearia a Espanha, tornar-se-ia campeão intercontinental e ufanismo, pela milionésima vez, seria confundido com patriotismo e o gigante que havia acordado foi ninado mais uma vez. Voltou ao seu berço esplêndido e espoliado.

Plebiscito ou referendo ou reforma política ou constituinte... A proposta de constituinte lançada por Dilma foi desmontada nas primeiras vinte e quatro horas após feita. Juristas, OAB, imprensa uniram-se em uníssono contra esse engodo. Parte do populacho fez beicinho, sem entender ou querer entender as implicações legais, pecuniárias e cronológicas da medida.

Reforma política, algo que tramita nas épocas de eleições, há mais de quarenta anos no Congresso, parece ser vontade geral. Parece! De fato os cardeais da política nacional, verdadeiros oligarcas como Sarney, Collor, Lula, Calheiros, os Braga do Amazonas e Acre, Íris Resende, Perillo, os herdeiros de Arraes e outros tantos, só aceitam uma reforma política se for para manter tudo como está e não correrem o risco de perderem um milímetro de seu poder para novos que possam aparecer.

Restam plebiscito e referendo, duas formas de darem ao povão a oportunidade de tornarem-se cúmplices das bobagens fantasiadas de reforma política que hão de aparecer.

Com imprensa na algibeira e mais o erário, o cheque e a caneta à sua disposição, governo e governistas terão os meios de comunicação e atores globais à venda, prontos para convencerem os mesmos eleitores tão politizados que elegem seus algozes e torcem por eles como torceram pela seleção brasileira contra a Espanha, que é sua vontade que está sendo aprovada nas urnas. Plebiscitos não são respeitados num país em que decretos presidencias viram leis, medidas provisórias caducam ou são negociadas em troca de obras, empregos ou favores pessoais. Plebiscitos mostraram-se arma poderosa dos governos bolivarianos congraçados anualmente nas reuniões do foro de São Paulo.

Aquela molecada que saíra às ruas em mais de cem cidades protestando contra... contra... contra o quê mesmo?, não sabia se o que os jornais estavam falando, discutindo, dizendo e desdizendo é bom ou ruim. Virou discussão de gente grande. “Continuamos contra”, só não sabemos contra o quê. Alijaram o populacho do embate.

Vem a segunda fase das manifestações. Aparecem em cena os sindicatos. Médicos contra médicos cubanos; caminhoneiros contra pedágios; bancários contra, ou melhor, a favor de aumentos salariais; meia dúzia de grêmios estudantis pedindo passagem grátis... As muitas mãos que mexiam a panela tomaram colheres diferentes e o governo seguiu à risca o secular ensinamento: dividir para conquistar.

Dividiram a movimentação popular em vários movimentozinhos, mais fáceis de serem dominados. Mandaram a garotada, em pleno gozo de férias escolares, de volta para suas casas, para as férias na Disney, para a fazenda dos avós e para seus X-boxes. Alisaram as cabeças dos líderes dos “movimentos sociais”, como disse, sabe-se lá a que custas. Fizeram e fazem reuniões com os caciques políticos que fazem parte de seu clube particular. Ignoraram as propostas plausíveis de reforma política, como as feitas por Aécio Neves em seu primeiro discurso após o levante. Continuam a esconder os gastos com cartões corporativos em nome da segurança nacional, a despeito do discurso de transparência da maior gastadeira, a presidente...

Tudo voltou a ser como antes, mesmo que os repórteres, ávidos por sensacionalismo para suas manchetes, insistam que o país mudou, que nada será como antes. E o povão, satisfeito com suas vitórias cantadas e recantadas, volta à sua vidinha de assaltado, como se não fosse com ele o problema.

©Marcos Pontes

domingo, 30 de junho de 2013

Perguntas para o plebiscito

Caros leitores, abaixo as questões que alguns de vocês me enviaram e que compilei da melhor maneira que me permiti. Lógico, sabemos que dificilmente os parlamentares as levarão em conta e, caso considerem alguma, não terá essa mesma redação, não podemos, porém, nos omitir e deixá-los montarem esse plebiscito sem nossa interferência ou, ao menos, sem saberem que estamos de olho e vigilantes.

Se mais e melhores perguntas não estão aqui, amigos, é porque você não atendeu a meu pedido, sugiro, então, que elenque suas próprias questões e as envie aos parlamentares:

 

Excelentíssimo(a) senhor(a) parlamentar,

Não falo aqui em nome de multidões, de clubes, de entidades não governamentais ou de qualquer outra instituição constituída, mas tenho a convicção que muitos brasileiros haveriam de convir com minhas posições não à toa, mas porque as questões elencadas abaixo foram elaboradas com a participação de vários contatos das redes sociais das quais faço parte e nas quais troco opiniões, notícias e argumentos com milhares de pessoas viventes no Brasil e no exterior, todas preocupadas com progressões político-partidária, social e econômica de nossa nação.

De minha parte, adianto que me posiciono contra plebiscito ou referendo. Desde há muitos anos ouvimos falar na necessidade de uma reforma política no Brasil e cada vez que elegemos nossos representantes o fazemos na esperança que nossos representantes façam tais reformas e eles (os senhores) não o fazem, demonstrando claramente que não nos representam de fato, apenas de direito.

Por conta de nossa desesperança em que vossas excelências passem a nos representar de bom grado, resolvemos ir às ruas, e, embora os jornais digam o contrário, ainda não estamos satisfeitos com sua mudança de postura no trato das grandes questões nacionais. O que vemos é um jogo de cena para ficarem bem diante da opinião pública, a mesma para a qual vossas excelências costumam virar as costas na quase totalidade do tempo. Aquela opinião pública que só recebe alguma importância no período eleitoral. Se me permite, excelência, uma pequena lição de eleitor, o interesse eleitoral que ocupam a totalidade do tempo só interessa ao eleitor na hora de encarar a urna, mas cada vez mais vem dependendo da postura do candidato durante seu mandato anterior ou do passado como cidadão.

Permita lembrar-lhe, excelência, que a Lei da Ficha Limpa nasceu nas ruas e não na boa vontade dos parlamentares ou das lideranças político partidárias. Coube a vossas excelências deturparem o texto original que lhes enviamos, mais uma vez demonstrando seu desrespeito com a vontade de seu eleitorado.

Acreditando que o dito plebiscito é inevitável, uma vez que suas lideranças, sejam situacionistas ou oposicionistas, têm um medo maior da autoridade da presidência da República do que de seus eleitores, sugerimos que as questões abaixo, englobando temas que consideramos mais urgentes para que o Brasil saia do marasmo em que se encontra por tanto tempo, para que as mesmas façam parte da famigerada consulta popular.

1. Quer financiamento privado para campanhas eleitorais?

2. Quer voto facultativo?

3. Quer voto distrital puro?

4. Quer o fim das coligações partidárias?

5. Quer o fim de foro privilegiado para parlamentares em caso de crime comum?

6. É a favor da redução de deputados federais para a metade do número atual?

5. É a favor do fim de salários para vereadores de cidades com menos de 250 mil habitantes?

6. É a favor do teto de 10 salários mínimos como salário de vereadores de cidades com população entre 250.001 habitantes e 1.000.000 de habitantes?

7. É a favor de teto de 15 salários mínimos de salário mensal para deputados estaduais?

8. É a favor de teto de 20 salários mínimos de salário mensal para deputados federais?

9. É a favor de teto de 25 salários mínimos de salário mensal para senadores?

10. É a favor da extinção de quaisquer vantagens financeiras para parlamentares, respeitando até o 13o salário?

11. É a favor do fim da aposentadoria de parlamentares?

12. É a favor da extinção de reeleição para chefes de Poder Executivo nas três esferas?

13. É a favor da extinção de segunda reeleição para membros do Poder Legislativo nas três esferas?

14. É a favor da eleição de ministros juízes do Supremo Tribunal Federal por seus pares (advogados, juízes das demais esferas, promotores públicos, desembargadores e delegados), extinguindo-se a prerrogativa de tais indicações sejam do Presidente da República?

15. É a favor de que quem exerça cargo ou função pública, julgado e condenado em primeira instância seja automaticamente exonerado deste cargo ou função?

16. É a favor que cidadão ou cidadã cassada tenha suspensa sua matrícula em partido político e proibido de exercer qualquer cargo público, seja por concurso ou indicação?

17. É a favor da extinção da suplência de senador?

18. É a favor de apenas 2 senadores por estado?

19. É a favor clausula de barreira de mínimo de 5% de vagas na Câmara dos Deputados para que o partido tenha efetivado seu registro de funcionamento?

20. É a favor do fim das verbas de gabinete?

21. É a favor do fim dos cargos de assessores de parlamentares, sendo suas funções exercidas por profissionais de carreira escolhidos por meio de concurso público?

22.  É a favor do financiamento de campanha exclusivo por Pessoas Físicas, limitando-se a uma doação por CPF, auditada pela Receita Federal?

23. É a favor do fim do Horário Eleitoral Gratuito?

24. É a favor da fidelidade partidaria, sendo seu desrespeito sujeito a punição do autor?

25. É a favor da cassação de eleito que não tenha cumprido, no decorrer do mandato, o projeto eleitoral apresentado durante a campanha e previamente registrado em cartório?

26. É a favor de que todas as eleições sejam majoritárias?

27. É a favor de candidaturas a cargos eletivos de cidadãos não filiados a partidos, mas em pleno gozo dos direitos civis?

Cópia dessa missiva será encaminhada a cada um dos seus pares de ambas as casas legislativas, para as direções de seus partidos, para a presidente da República e para os principais jornais do país. Será ainda publicada em meu blog pessoal e espalhada pelas redes sociais. Se vossa excelência me surpreender com uma resposta, terei prazer de divulgá-la, uma maneira de mostrar a meus eventuais leitores que existe um ou outro parlamentar preocupado em prestar contas a seu eleitorado.

Saudações de um cidadão indignado e pouco esperançoso.

©Marcos Pontes

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Porquê sou contra

 
Sou absolutamente contra plebiscito e/ou referendo. Me dói, mas concordo com as lideranças políticas que afirmam que o Congresso tem a competência e obrigação legal e moral de fazer as reformas. É necessário que a população que vai às ruas na onda e meio perdida, sem dar-se ao trabalho de analisar a história e a legislação, coloque pressão para que ajam. 

Fomos às urnas no referendo do desarmamento. Mais de 60% da população votou "não" e o que fez o governo? Baixou o desarmamento por decreto. Isso diminuiu a violência? Não, apenas aumentou, e muito. 

Por plebiscitos El Loco Chávez eternizou-se no governo venezuelano, hoje naufragando na inflação de dois dígitos por mês. Pior, deixou para Maduro a mesma condição de tornar-se o deus-sol caribenho.E esta tem sido uma tática para dar legitimidade ao ilegal, expediente bastante utilizado por governos autocráticos que esperam, com os resultados de referendos e plebiscitos, darem uma vestimenta de apoio popular naquilo que foi espalhado como salvação da lavoura através de propagandas milionárias ou força bruta.

Eleições não são sinônimo de democracia, isso todo cidadão minimamente informado já sabe. União Soviética, China comunista, Irã teocrático, Iraque husseniano e republiquetas bolivarianas sempre fizeram eleições e são o que são, a antítese da democracia.

No texto do plebiscito/referendo, essa politicanalha que não quer largar o osso colocaria apenas questões que lhe interessa, sabendo que o grosso do populacho votaria sim ou não sem conhecer o que estaria votando. E para convencer os eleitores a votarem no que gostaria, apelaria para a propaganda, enchendo de atores e subcelebridades “globais” seus comerciais com apelos populistas e mentiras sem fundo. Camila Pitanga, Regina Casé, José de Abreu e mais uma meia dúzia de venais fariam fortuna às custas das desgraças populares. 

Se mesmo assim as vontades dessas lideranças políticas fossem rejeitadas, nada impediria que a manutenção do que há continuasse por decretos ou arranjos no Congresso com conivência do governo federal e vice-versa. 

A saída seria a vigilância constante e exigência popular (entenda-se por popular a cobrança dos 10 % que leem jornais e entendem o que entrava o crescimento e a democracia do país) nas votações de ponto por ponto, lei por lei. É uma atuação longa e demorada, mas que pode trazer resultados muito melhores a longo prazo do que um pacotão com todas as "salvações da pátria", algo que todo brasileiro já deveria ter aprendido. 

©Marcos Pontes