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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Guerrilha no Araguaia 2012

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaraguaia
Na semana passada foram descobertos 69 guerrilheiros de extrema direita no entorno da região conhecida como Bico do Papagaio, extremo norte de Tocantins e sul do Pará, na zona campestre de Xambioá, São Félix do Xingu e Marabá.

Investigações da Polícia Federal dão conta que esses homens e mulheres vêm instalando-se no local há três anos e vieram de cidades várias, principalmente Rio de Janeiro, São Paulo e Fortaleza, e eram comandados por um ex-remador do Botafogo, Oscar, um negro de quase dois metros de altura.
Além dos 69 descobertos, havia uma intrincada rede clandestina ligada a facções criminosas que executavam assaltos a bancos e carros fortes e sequestros relâmpagos com a finalidade de levantar fundos para financiar a guerrilha, desde alimentação, documentos falsos, transporte até a aquisição de armamentos, de pistolas semiautomáticas a fuzis AR-15, traficados pelas fronteiras do Paraguai e da Venezuela.

Avisada pela ABIN, a presidente Dilma não perdeu tempo em convocar Celso Amorim, Ministro da Defesa, e ordenar a imediata destruição do levante que, segundo levantamentos oficiais embasados em vasta correspondência encontrada com Oscar, morto em confronto com uma patrulha do Exército, tinha como objetivo "derrubar o governo comunista que instalou-se em 1994 e vem sucedendo-se desde então".

As ordens aos militares eram claras: desmontar a guerrilha a qualquer custo. É inadmissível o uso de forças civis armadas com o intuito de promover um golpe de estado meramente ideológico. Se houvesse prisioneiros, que esses fossem duramente interrogados e coletado o máximo de informações possíveis para desmantelar toda a rede terrorista.

Parece crível a notícia acima? Lógico que sim, afinal de contas é apenas a reprodução do que poderia ter sido notícia no início dos anos 70 sobre o episódio conhecido como Guerrilha do Araguaia.

Se tais fatos ocorressem nos dias de hoje indubitavelmente a maioria absoluta da população colocar-se-ia do lado do governo, afinal de contas não tem cabimento um grupelho querer derrubar um governo, sem falar na burrice de querer tomar Brasília a partir do meio da mata amazônica. É como ir à guerra armado de estilingue.

Mas, analisando mais a fundo os “fatos”, algumas perguntas seriam inevitáveis: os 69 guerrilheiros foram obrigados a pegar em armas ou o fizeram por livre escolha? Mesmo que o governo atual tivesse sido empossado por meio de fraude ou golpe de estado, seria justificável a prática de crimes contra a população civil, como assaltos, roubos, contrabando e sequestros, para financiar o contra golpe? Incomodados com o governo e seus desmandos, não seria o caminho correto recorrer democraticamente à Justiça e a organismos internacionais ao invés de lançar luta armada contra outros brasileiros? O Exército teria agredido os terroristas ou contra atacado agressões sofridas? Os guerrilheiros e seus descendentes teriam direito a indenizações depois de terem provocado a luta armada ou deveriam restituir à União os gastos despendidos no contra ataque e às famílias de suas eventuais vítimas? Defendendo uma democracia, não seria muito mais coerente empenhar-se numa oposição democrática do que na força física e covarde de guerrilha clandestina?

©Marcos Pontes







sábado, 20 de outubro de 2012

E-mail para os senadores

 

Enviei o e-mail abaixo para 79 senadores (dois deles não têm endereço de e-mail no site do Senado). Sei que não responderão, talvez nem lerão, mas continuo tentando.

 

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

...

XLII - a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei;

Constituição Federal

Excelentíssimos e excelentíssimas senadores e senadoras,

(Ultimamente torna-se imperativo deixar claro o gênero do interlocutor, mesmo que seja uma só missiva para muitos, como se tivéssemos que demonstrar que não discriminamos mulheres. Uma das estapafúrdias máximas da era “progressista” em que vivemos).

Se um pai comete um crime, seu filho pode ser preso por isso? A culpa é transferível? Ao que consta nos parcos conhecimentos jurídicos deste autor leigo, ambas as respostas são “não”. Deve pagar pelo erro aquele que o cometeu.

Sendo assim, é inadmissível a justificativa de que cotas para negros e pobres ingressarem nas universidades públicas seja uma questão de “justiça histórica” (seja lá o que isso signifique) por conta dos nossos tempos escravistas, encerrados ainda antes da instauração da República.

Tetranetos de escravagistas, que eram minoria naqueles tempos, não podem ser penalizados com os erros dos seus antepassados.

Mesmo que isso fosse justo, como identificar os tetranetos dos negros africanos que traficavam negros de tribos inimigas para os comerciantes europeus? Ou eram apenas os brancos que colocavam negros nos porões insalubres dos navios negreiros? A História diz que não, o que faz dessa “justiça histórica” o justiciamento de uns e a anistia de outros, ambos praticantes dos mesmos “crimes”. Não há justiça, portanto, mas vingança.

Imaginemos o que dirão de nós num futuro não tão distante, nas gerações que virão após esse oba-oba que teima em jogar brasileiros contra brasileiros como método para popularizar governos sucessivos que não priorizam o método, mas os votos, utilizando-se de mentiras calcadas na ignorância popular: “no início do século 21 os governos brasileiros utilizavam-se de discriminação racial para classificar seus cidadãos socialmente, do mesmo modo que agiram os governos de dois séculos antes nos nada saudosos anos de Brasil Colônia e Brasil Império, com a diferença que os privilegiados eram os herdeiros daqueles que antes eram ultrajados e os ultrajados eram herdeiros genéticos dos que antes eram os senhores da elite escravista”.

Seremos descritos com um sistema de apartheid às avessas.

Agora vossas excelências analisam um sistema de cotas para o ingresso no serviço público.l Vamos persistir no erro? Os negros e pobres (futuramente os gays, como já ensaiam algumas lideranças políticas) são tão incompetentes que só conseguem a tão sonhada ascensão social violentando o Artigo 5o da Constituição Federal? São tão incapazes que precisam de empurrões legais para galgarem os degraus do sucesso estudantil/profissional?

Se afogamos a meritocracia no mar de lama do populismo, como podemos aspirar um crescimento científico e tecnológico?

Pensem bem, senhores e senhoras, no Brasil que estão ajudando a construir ou destruir. Priorizem a excelência das escolas públicas de ensinos fundamental e médio para armarem os estudantes menos privilegiados a lutarem com as mesmas armas dos mais abastados na disputa por vagas, ao invés de discriminarem criminosamente aqueles que serão punidos por conta da cor da sua pele, dos eu poder aquisitivo muitas vezes alcançado por conta do estudo e do trabalho árduo de seus ancestrais, ou sua orientação sexual.

Marcos Pontes, um mulato brasileiro cada vez menos orgulhoso de ser brasileiro.

sábado, 29 de setembro de 2012

Agora sou progressista

Olimpo 1
Nós, progressistas, acreditamos que a mordaça é democrática.
Falar é livre, desde que eu queira ouvir o que você tem a dizer.
O livre arbítrio, antes de ser um princípio universal reconhecidos pelos governos mundanos, seria um direito divino dado a Adão e suas gerações. Nós, progressistas, acreditando sermos os porta-vozes de próprio Deus redivivo, seja na Rússia de ’17 ou na forma de um pigmeu garanhuense de São Bernardo do Campo dos anos 80, damos a nosso chefe supremo e seus 40 discípulos o poder de limitar o livre arbítrio ao seu ditame. Ele e apenas Ele tem direito a livre arbítrio.
Tudo pode se nós, “erenicicamente”, recebermos nossos 6%.
Bandidos são seus amigos, os nossos são injustiçados, perseguidos e massacrados.
Os maus vendem o que é de todos, os nossos fazem parcerias nas quais entramos com os bens públicos e nossos parceiros entram com o capital, aquela coisa que o Diabo criou para o deleite dos bandidos e para as necessidades dos nossos amigos.
Quem nos critica nos odeia, quer nos golpear de morte. Quem nos elogia está com livre acesso ao Olimpo do erário fácil. Quem critica nossos inimigos (não temos adversários ou opositores, mas inimigos e golpistas) também tem nossas benesses e simpatia. Quem elogia nossos detratores merece el paredón da justiça humana, uma vez que a divina é para os imbecis.
A história é formada de episódios em que os nossos são martirizados ou saem vencedores, o resto é mentira sob o disfarce de verdade e nesses provas, fotografias e depoimentos são forjados com o único propósito de nos agredir.
Se matamos nossos inimigos, nos justificamos com a defesa dos interesses dos menos favorecidos, pobres, minorias, discriminados. Se um deles mata um dos nossos numa luta que nós provocamos, é um crápula que merece as mais duras penas, mesmos que essas penas não estejam previstas nas leis.
Podemos até matar um dos nossos se este nos trair, trair “a causa” – mesmo que nossos comandados não tenham a mínima ideia de que causa seja essa – e nossos interesses, que são também os interesses do “povo”, este ser amorfo, homogêneo, mas que precisa das nossas diretrizes para andar, comer, vestir-se, amar, odiar, endeusar, endemonizar, falar, calar, enfim, viver. O “povo” é incapaz, o que o leva a depender de nossa capacidade, de nossa tutoria, da nossa orientação cotidiana, seja em caráter comunitário, seja no âmbito pessoal.
Somos nós que sabemos o que as famílias podem e devem fazer, o que as escolas devem ou não ensinar, que caminhos as empresas podem ou não trilhar para o sucesso, embora esta palavra só faz sentido quando o bem sucedido é um dos nossos. Um empresário bem sucedido é e será sempre um membro da elite golpista que nos odeia, por conseguinte, odeia o povo.
A ideologia alheia não é ideologia, senão roubo, atraso, conchavos, interesses escusos, maquinações assassinas. A nossa é clareza de ideias e de ideais e a adaptação do discurso à relatividade da verdade. O mundo há de aprender que ele está errado cada vez que discordar de nós. Nós somos o único caminho certo, a verdade e a luz.
Somos a única espécie que deve habitar o universo. Mesmo os EE.TT. são vermelhos. A mídia capitalista, opressora e mentirosa os pintou de verdes, a cor do dólar, como mensagem subliminar. O dólar é a arma do demônio capitalista (Deus não existe, mas o capeta verdadeiro é nosso aliado) para nos oprimir.
©Marcos Pontes












terça-feira, 4 de setembro de 2012

O bom, o mau e o tô nem aí

DUELO

No momento atual de polarização política, seja o que algumas figuras públicas falarem, sempre provocarão duas correntes excitadas, uma de aprovação inconteste e a oposta de apedrejamento. Pessoas autoaclamadas cultas e politizadas não escapam dessa armadilha.

Já que estamos falando em polarização, citemos os dois principais atores desses polos, FHC e Lula, apenas como ilustração.

Recentemente FHC escreveu um artigo em que defendia Dilma e sua necessidade de calma e “compreensão” para governar. A “compreensão” está grafada neste período por ser ela um dos artigos mais requisitados por todo governante que faz bobagens ou toma medidas impopulares.

A bem da verdade, todos os artigos político que FHC escreveu desde que saiu da presidência teve como mote a defesa de seus sucessores.

Quando estourou o escândalo do mensalão, o ex-presidente freou a ânsia de seus correligionários ao pedirem o impeachment de Lula. Não se preocupou se feria a condição de oposição dos tucanos, com a honestidade e probidade no trato da coisa pública, com os interesses eleitorais de seu partido e seus principais líderes Serra Aécio e Alckmin de verem Lula e PT alijados do poder, com o que pensariam seus ex-eleitores sobre sua posição condescendente. Como ex-ocupante do trono, escaldado com as baterias diárias de ataques e críticas que recebia logo depois de passada a lua-de-mel com a imprensa, os bancos e os eleitores, FHC preocupa-se mais em defender o presidente em exercício do que os interesses do país.

Mas a palavra de ordem é colocar-se contra ou a favor e os eleitores seguem à risca essa determinação. Para se opor a Dilma e PT tem que idolatrar FHC e os tucanos e vice-versa. Para ser dilmista (se é que existe algum), petista ou lulista, tem que espinafrar FHC, tucanos, dems ou qualquer sombra, por mais pálida que seja, de oposição.

Eleitores que assim posicionam-se também não fazem bem aos interesses públicos reais.

Não há deuses, mormente em política; salvadores da pátria, via de regra, são saqueadores do erário e estelionatários eleitorais. Vide os exemplos recentes de Collor, Sarney, ACM, Lula, Calheiros, se não FHC, seus colaboradores na elaboração do Plano Real que enriqueceram especulando com o dólar e com a bolsa de ações, armados com suas informações privilegiadas.

A generalização é tão ou mais burra que a unanimidade. Me permitirei, então, uma correção de rumo.

Há uma parte do eleitorado que não endeusa ou sataniza este ou aquele lado, Estes dividem-se em analistas que acham que estão pregando o equilíbrio e os que não se interessam, de fato, com o noticiário político. Estes últimos subdividem-se nos que leem jornais, porém se deixam convencer pelos “noticiosos” do botequim e tomam como verdade absoluta o que os amigos tidos como mais bem informados vaticinam e aqueles que deveras estão pouco se lixando para política.

Sem querer pregar a alienação, os últimos são os únicos confiáveis. Não se interessam mesmo por política ou políticos e são honestos nas suas posições de que o que desejam é teto, cama e comida na mesa. Pode até não ser honesta sua maneira de conseguir isso, mas o é a da neutralidade política declarada. Esses, para o bem o mal, são minoria.

Os que tomam bandeiras com números ou caras impressas, em seu sectarismo, negam-se em ver os erros, não poucos, cometidos pelos seus ídolos e os acertos, mesmo raros, de seus desafetos.

Como me posiciono nessa fauna? Como franco atirados. Porém, na polarização PX X PSDB, FHC X Lula, Competência X Dilma, vejo com clareza que vêm todos, com exceção da competência, do mesmo ninho, apenas de ovos diferentes.

 

©Marcos Pontes

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

A coerência dos comunistas

Comuna

Consigo ver algumas coerências na incoerência dos comunistas. Se não, vejamos:

1. Assim como os direitistas andam envergonhados de dizerem-se direitistas depois de décadas de campanhas com intenção de igualarem a direita com a mão direita do próprio Diabo; católicos andam tão acuados diante de tantas campanhas difamatórias à Igreja, andam envergonhados de assumirem sua religiosidade e a maioria sequer vai às missas, como se ir à missa fosse um crime contra a humanidade; assim também os comunistas que, até pouco tempo, batiam no peito arvorando-se como salvadores da pátria e guardiães da probidade e da moralidade, diante de tantos roubos, negociatas inexplicáveis, desastrosas administrações públicas e senvergonhices sem paralelo na história da república, numa admissão tácita de que o comunismo não é solução, mas uma praga, preferem autodenominar-se “progressistas”, “socialistas” ou sabe-se lá que outros eufemismos.

2. A França, quando tinha uma economia saudável e próspera, adotou a semana laboral de 36 horas. Hoje, trincando e ameaçada de ruir, como quase toda a Europa, repensa esta carga horária para o bem da própria previdência social deficitária. Trinta anos depois, os vermelhinhos brasileiros fazem campanhas pelas mesmas 36 horas/semana, o que se coaduna com a preguiça de trabalhar que assola a alma e o corpo dos nossos esquerdistas que aspiram como fonte de renda o serviço público, a direção sindical ou alguma assessoria parlamentar. Nos dois últimos casos, gente que ganha muito sem a necessidade de trabalhar.

3. A esquerda sempre posicionou-se contra o progresso, arrumando argumentos quase sempre falaciosos contra a geração de energia elétrica, mormente hidrelétricas, construção de rodovias, portos e aeroportos, parques industriais, agronegócios, apelando para potocas como “aquecimento global”, “populações nativas” (como se índios não quisessem conforto, lazer e TV de plasma), “preservação da cultura” (como se os dançarinos de bumba-meu-boi não usassem Nike e McIntosh no dia-a-dia)... Independentemente dessas obras e empresas gerarem empregos e transportarem riquezas. Ela, a esquerda, diz-se progressista e continua colocando-se contra hidrelétricas, rodovias, aeroportos, parques industriais... Pela sua lógica, progresso é sinônimo de pobreza e preguiça, não coincidentemente, irmãs siamesas;

4. Alguns dos mais notáveis comunistas brasileiros são Chico Buarque, um gênio das letras que abandonou a faculdade de arquitetura, que lhe daria vida de formiga, para abraçar a vida de cigarra, muito mais rentável, preguiçosa e admirada;

Jorge Amado, outro gênio das letras (em ambos os casos não uso de ironia e nem menosprezo o termo “gênio”, tão mal empregado nos dias de hoje quanto as palavras “amor” e “ódio”), só fez uma coisa além de escrever, ser deputado federal, pelo PCB. Não pela mal contada preguiça baiana, mas pelo gene comunista, o trabalho edificante não foi seu forte.

Luís Carlos Prestes. Trabalhou? Não se nega que deu um duro danado caminhando pelo país, consumindo dinheiro que não ganhou com o próprio suor (ou alguém imagina que vestir, alimentar, armar e medicar aquela multidão que o seguia era uma empreitada barata?) enquanto pregava pela divisão dos bens de quem tinha com os que não conquistaram. Calma, condescendente leitor, não esqueço que muitos não tiveram chances de conquistar, outros muitos, porém, não foram atrás de conquistas pelo vício do assistencialismo estatal vindo dos tempo do Império. O Estado sempre foi uma fábrica de preguiçosos, comunistinhas em potencial. E ensaia continuar sendo por muito mais tempo;

5. Lamarca, que saiu do nada, chegou onde muitos desejavam chegar e jogou tudo para o alto em troca de fuzis, bombas, assaltos e mortos e tido como herói pelos rubros dessas últimas quatro décadas. Um sujeito que cuspiu nas tetas que lhe deram leite, escondido nas tricheiras urbanas e cometendo crimes – hoje tão aplaudidos pelos vermelhinhos que, na sua eterna empáfia, consideram inimigos todos os cidadãos que não se rendem aos seus falsos ideais de igualdade quando, de fato, querem amealhar riqueza e poder – contra o próprio Exército, de onde roubava armas para alimentar suas convicções pessoais, apoderando-se de bens públicos para tentar impor uma ditadura contra esse mesmo público.

Não são poucos os exemplos citáveis de preguiçosos,ineptos, despreparados, mal intencionados, desonestos, não necessariamente numa mesma pessoa, mas, por diversas vezes, uma comunhão de todos esses defeitos, que poderiam ser citados. Não são poucos os Antônios Pitangas e Beneditas da Silva, os Lulas e as Dilmas, os Mercadantes e os Arraes oligarcas, os Zés de Abreu e os Joões Paulos Cunha a decorarem as paredes e estantes de comunistas notórios que mais destruíram do que construíram pelo país e pelo bem estar social dos brasileiros, mas o propósito é mostrar a coerência dos incoerentes comunistas. Pois bem, a maior de suas coerências é seguiram as cartilhas do improdutivo sanguessuga Karl Marx, dos genocidas Stálin e Mao, do dissimulado Castro e o inteligentíssimo não operário Antonio Gramsci.

 

©Marcos Pontes

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Tubarões e piabas

tubarões

Dizem que o julgamento dos mensaleiros começará amanhã. Pode-se até acreditar no início, mas o final é que preocupa.

A imprensa estrangeira andou falando que este julgamento é sinal de mudanças no trato com a corrupção no Brasil. Isto também pode ser crível, mas mudança não significa, necessariamente, melhora.

Corruptos no Brasil são como vírus. Adaptam-se às mudanças do ambiente, sofrem modificações que os invulnerabilizam diante das novas profilaxias, arrumam meios de ultrapassarem os obstáculos que por ventura surgirem, tudo com o objetivo de se perpetuarem. Se a geratriz é eliminada, a próxima geração vem fortalecida.

Volta e meia cai um ou outro corrupto, sendo Demóstenes o mais notável da atual geração. Enquanto ocorrem denúncias contra tubarões, dezenas de piabas são dizimadas, excluídas do serviço público, já chegando a mais de duas centenas somente em 2012. Esta arraia miúda não faz parte de sindicatos de ladrões (quase um pleonasmo) como fazem governadores, prefeitos, juízes e parlamentares das três esferas, filiados a partidos e componentes de câmaras e tribunais fétidos por conta da montanha de podridão sob seus tapetes. As piabas roubam por conta própria, por seu próprio risco. Flagradas, são demitidas, mas são tantas que nem sequer aparecem nos jornais, que não se interessam por fatos velhos ou por qualquer coisa que possa macular a administração de plantão. Justiça seja feita, elas, as piabas, são minoria, tanto as que roubam quanto as que são flagradas roubando. Número insignificante no universo de dezenas de milhares de funcionários públicos.

Já os tubarões, ah, estes são muitos entre os milhares em cargo de comando e quando um deles é arpoado, a lição espalha-se entre os demais e nenhum outro é ferido, no máximo um leve arranhão, até que o arpoador troque de estratégia e de arma.

Quando um tubarão é ferido o cardume se espalha, cada um preocupado com a própria fuga. Lá na frente reagrupam-se, assustados com o que ocorreu com o companheiro descuidado, rebaixado de tubarão a boi de piranha, aquele sacrificado para que o restante do rebanho sobreviva ao atravessar o rio sem risco.

Iluda-se quem quiser iludir-se, mas a corrupção só será devidamente ameaçada se mudanças profundas forem feitas na legislação que os próprios tubarões encarregam-se de forjar. A imprensa estrangeira e os brasileiros netos da Velhinha de Taubaté não conhecem os meandros, os vícios, os conchavos, as falcatruas, as negociatas, os escambos de favores e aumentos de verbas que sustentam a impunidade.

Se um dia, creio que não verei este sol nascer, corruptos forem presos com longas penas, destituídos de todos os bens que adquiriram com as fortunas desviadas e obrigados a devolverem tudo o que surrupiaram dos cofre públicos, aí, sim, a corrupção será feriada de morte. Mas isso é querer de mais num país em que atos de honestidade são exceções que viram manchetes de jornais enquanto furtos são encarados como mais uma noticiazinha de pé de página.

 

©Marcos Pontes

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Os riscos da absolvição dos mensaleiros

Mensaleiros

A esperança dos bons brasileiros de que aconteça um julgamento imparcial e deveras justo dos mensaleiros será frustrada e não adianta torcer, rezar ou apelar para os deuses do Olimpo STF, como fazem a CUT e os vermelhinhos em defesa dos réus.

Lewandowski já pediu, em seu relatório, a diminuição de eventuais penas caso haja - e eu acho improvável – a zebra de uma condenação de Dirceu e sua gangue. Toffoli, comprometido até os gorgomilos com a matilha da estrela vermelha não será impedido de julgar e, imagino com minha mente doentia, pode ser o pivô de alguma manobra para se protelar o início do julgamento.

Espera-se que os trabalhos prolonguem-se por mais de um mês, o que significa a aposentadoria de dois ministros nesse intervalo, Celso de Melo e Peluso. Isto pode redundar na interrupção dos trabalhos até que sejam nomeados seus substitutos pela presidente, algo que não depende de prazo legal, mas dos interesses pessoais, partidários, comerciais, ideológicos e sabe-se lá quantos outros.

Com 40 réus arrolados, centenas de testemunhas e milhares de páginas, é óbvio que o tempo necessário para se passar todo o processo, para a felicidade dos advogados de defesa, será enorme. Fora os quilométricos votos justificados dos juízes, que um dia aprenderão que se reduzirem as justificativas dos seus votos estarão fazendo um grande serviço a favor da celeridade do Judiciário.

Com todos esses percalços e mais os possíveis que não consigo sequer imaginar, há ainda o risco enorme – ou quase certeza – da absolvição dos processados. Risco não pela absolvição em si, que é uma questão jurídica, mas pelo que ela poderá provocar.

Não fica a dúvida na cabeça de qualquer cidadão em pleno exercício de sua sanidade mental que existem juízes irremovíveis em sua intenção de liberar a camarilha e isto são favas contadas. Estes até devem ter vontade de acelerar o julgamento num ano eleitoral e é aí que descansa alerta o perigo.

Absolvidos, os bandidos baterão no peito e se arvorarão como injustiçados, vítimas do PIG e da imprensa capitalista comprada pelos oposicionistas. Tornar-se-ão cabos eleitorais santificados e fortificados, raivosos e revanchistas avalizados para alavancarem seus candidatos ou suas próprias candidaturas, como Delúbio, candidato a deputado federal por Goiás, o principal assessor do chefe da quadrilha, José Dirceu.

O próprio Dirceu, se absolvido, poderá recorrer à Justiça para anular sua cassação, alegando que esta se deu por conta de crimes que o STF dirá não existirem.

Este sujeito, mesmo cassado e processado, com seus direitos políticos suspensos, em qualquer momento deixou de fazer política partidária, tráfico de influência, lobby, intromissão dos Poderes da República, mormente no Executivo, ao ponto de indicar e fritar ministros. De fato, o único direito político cassado foi o de candidatar-se a cargo eletivo, todos os demais têm sido exercidos à exaustão e impunemente.

Livre das imputações, será o King Kong liberto para açambarcar o país com suas garras de rapina, liberado para repetir e continuar às claras todas as falcatruas que vem praticando na surdina dos jornais e no escurinho dos gabinetes.

 

©Marcos Pontes